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Cultura e Tradições

Cidade multicultural, Marseille atraiu sempre os artistas. Muitos deles que a cantaram, filmaram ou desenharam fazem parte do hit-parade de celebridades nacionais e até mesmo internacionais. Mais é somente desde alguns anos que ela tomou a medida verdadeira da criatividade dos seus habitantes e dos interesses económicos ligados à actividade cultural.
Com 25 teatros dos quais 2 nacionais, 10 salas de concerto, uma ópera, uma trupe de ballet nacional, filmagens de películas de grande êxito (Taxi, Marius & Jeannette…) e grupos de Rap e de hip-hop muito famosos, Marseille ocupa incontestavelmente a frente da cena francesa.
A cidade possui mais de 22 museus e possui, para além de imensos ateliers de artistas, a maior aérea cultural europeia que lhe permite acolher manifestações de envergadura nacional e internacional.

TRADIÇÕES

Tradições seculares e o gosto de festejar
Durante séculos, Marseille soube conservar as suas tradições e uma arte de viver lendária. Marseille convida-o a descer até à famosa Canebière (artéria principal da cidade), a passear no Vieux-Port, descobrir o seu mercado de peixe, a embarcar no ferry-boat (barquinho que efectua a travessia do Vieux-Port). Capital do sabão e do santon, Marseille não esquece os gastrónomos com o seu pastis (bebida alcoólica anisada) e a sua bouillabaisse (especialidade culinária à base de peixe)…
Durante o ano inteiro, Marseille propõe imensas festas e manifestações: a Chandeleur e as suas navettes, o Carnaval, a Feira do Alho e das taraïettes, a Festa do Vento, a Feira dos Santons…

Natal:
Na Provence, Natal é uma festa familiar importante, em que as tradições estão mais arreigadas que nas outras regiões francesas.
As festas de Natal começam na Sainte-Barbe, no dia 4 de Dezembro. Os provençais põem grãos de trigo ou lentilhas a germinar, num pires envolvidos num algodão embebido com água. No dia 25 de Dezembro, se o trigo tiver crescido, diz-se que o ano que vem será feliz e próspero. Para os cristãos, Natal (25 de Dezembro) celebra o nascimento de Jesus. Desde há séculos, eles representam nas igrejas a cena da Natividade com figurinhas de vários tamanhos realizadas em pasta de cartão moldada, em cortiça ou em cera. Esta composição chama-se crèche (presépio).
Durante a Revolução Francesa (1789), as igrejas foram fechadas e as missas proibidas. O fervor da fé dos Provençais impele-os a fabricar, em suas casas, com todos os materiais de que dispõem, a sua própria crèche. Como as manifestações religiosas são interditas, eles têm a ideia de representar com figurinhas pequeninas de argila pintadas à mão os principais personagens de uma aldeia provençal.
Os  santons  (santinhos em língua provençal) são assim inventados.
Desde essa época, a tradição quer que cada família confeccione uma crèche e a decore cada ano com um novo santon.

Foi daí que veio a Feira dos Santons, É um mercado tradicional em que os artesãos expõem e vendem os seus santons e acessórios necessários à realização da crèche.
A Feira dos Santons de Marseille constitui hoje uma das tradições mais vivas e mais populares de Marseille. É a mais antiga Feira de santons da Provença (1803). Ela abre todos os anos do último Domingo de Novembro até 31 de Dezembro e situa-se no cimo da Canebière.
Natal festeja-se em família, é o momento em que as gentes se reúnem, se oferecem presentes e partilham uma boa refeição:

A grande ceia e as suas treze sobremesas
Na noite de Natal, põe-se uma grande mesa para reunir parentes e amigos antes de partir para a missa do galo. Momento privilegiado, A Grande Ceia, assim chamada na tradição provençal é uma refeição magra, quer dizer sem carne, segundo os ritos da religião católica. A refeição compõe-se de vários pratos dos quais os mais correntes são: l’aïoli (maionese com alho) que acompanha o bacalhau, os legumes cozidos (cenouras, alcachofras, couve-flor, batatas, feijão verde) e ovos cozidos… Termina-se com treze sobremesas que simbolizam o Cristo e os doze apóstolos: a bomba de óleo (brioche com azeite), o nogado branco, o nogado preto, as tâmaras, os quatro mendiants (mendigos): figos secos, amêndoas, avelãs ou nozes, passas; melão verde, tangerinas, maçãs, peras e uvas brancas.

A Chandeleur
A Chandeleur, a 2 de Fevereiro, encerra o período de Natal. É o dia em que se desfaz a crèche. Nesta ocasião, é celebrada uma missa na abadia de St Victor seguida de uma procissão. Ela passa pelo Four des navettes (a mais antiga padaria de Marseille criada no final do século 18) em que são benzidas as navettes, famosos biscoitos perfumados com flor de laranja cuja receita é secreta. As navettes evocam pela sua forma a barca lendária das Saintes Maries que as transportou até às margens provençais.

O Sabão de Marseille
Em Marseille, a saboaria artesanal instala-se a seguir às cruzadas (século dez). Mas é Colbert (ministro do rei Louis XIV) que impõe o nome comum de savon de Marseille. No início do século 19, Marseille possui 70 fábricas de sabão e o sabão de Marseille goza de uma reputação que ultrapassa as fronteiras francesas. O século 20 será fatal para esta indústria tradicional, amplamente concorrida pelos detergentes modernos. Hoje, apenas 3 saboarias estão em actividade. O sabão de Marseille passa actualmente por um renascimento graças à nova moda dos produtos naturais.

Feira do alho e das Taraïettes
A Feira do alho e das taraïettes realiza-se todos anos de meados de Junho a meados de Julho. O alho é um ingrediente importante da cozinha Provença que acompanha todos os pratos. Durante esta feira situada na Corte Belsunce em Marseille, ele é apresentado em trança ou em ramo. As taraïettes são pequenos objectos de argila, bruta ou esmaltada, que representam loiça em miniatura destinada às crianças.

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